07 fevereiro, 2007

Mensagem


Mensagem do Reitor Maior aos Jovens do MJS 2007


Queridos jovens.
Sucessor de um sonhador, eu também tive um sonho que vos quero contar com a mesma simplicidade e confiança com a qual o nosso pai Dom Bosco os contava aos seus jovens nas boas noites de Valdocco.
Sonhei que ele mesmo vos escrevia pessoalmente esta mensagem, quase como uma nova Carta de Roma. Eu sou lhe emprestei a minha mão (e o meu computador).
Eis aqui, então, a mensagem de Dom Bosco. Lede-a com a mesma simplicidade e amor dos seus jovens de então.
Uma cordial saudação também da minha parte.
D. Pascoal Chávez Villanueva

Queridos jovens,
Ainda que longe no tempo, penso em vós e sinto-vos perto com os vossos desejos de viver e ser felizes.
Sustenho com a minha oração as vossas melhores aspirações e acompanho-vos nos vossos momentos difíceis.
Sois a minha vida, e por isso estas palavras são as de quem vos ama ternamente no Senhor Jesus.
Gostaria de ter o amor terno e forte de minha mãe Margarida para falar ao vosso coração de filhos e comunicar-vos aquela grande paixão pela vida que ela me transmitiu desde pequeno.
No seu coração de mãe latia o coração de Deus, amante da vida; aprendi a reconhecê-lo na resplandecente e cálida luminosidade do nascer e pôr-do-sol, como também no pobre que batia à porta de casa. A minha mãe encontrava sempre as palavras precisas e os gestos mais adequados para desvendar com simplicidade o maior que envolvia a vida. Um amor que compensava a dor e curava, inclusive, a ferida profunda aberta pela morte do meu pai.
Falo-vos, queridos jovens, com estas mesmas palavras ternas e fortes. A vida é o dom mais precioso que recebestes: respeitai, defendei, amai e servi a vida, toda a vida e a de todos!
Deus, apaixonado da vida, não tolera que se comercialize a vida do homem. Os seres humanos não são um produto comercial. Houve tempos, e desgraçadamente ainda não terminaram, nos quais se vendiam e compravam seres humanos. Sucedia nas ruas de Valdocco, como sucede hoje nas praças e nas ruas das vossas cidades.
Não esqueci o que vi nas prisões e nas ruas, na terrível realidade de cada dia. Mudou a minha vida: decidi gastá-la para livrar os jovens de todas as prisões, tanto das materiais como das da solidão, da tristeza, da ignorância, da delinquência, da desorientação, do desespero.
Os meus tempos eram tristes, mas também vós viveis acontecimentos dramáticos nos quais, uma vez mais, domina o desprezo pela vida humana, a violência terrorista, o abuso e exploração de crianças e mulheres. Perante tal realidade não podeis permanecer indiferentes, sobretudo como jovens. De vós deve nascer uma nova energia, um movimento que comunique a paixão de Deus pela vida do homem.
Quero mostrar-vos, queridos jovens, o caminho para responder a esta missão e para viver uma vida plena, feliz e fecunda. O segredo está na amizade com Jesus Cristo. Nele se manifestou a misericórdia e a ternura de Deus que ama a vida. Entrou no coração da realidade humana, única e maravilhosa; gastou toda a sua vida libertando, salvando e dando vida aos oprimidos por qualquer espécie de mal; conheceu a alegria, a amizade, mas também a dor, a perseguição e a morte. Dando a própria vida por amor e ressuscitando da morte, iniciou uma vida plena e para sempre.
A sua ressurreição é como a erupção de um vulcão que demonstra que no interior do universo arde já o fogo de Deus, que já actuam nele as novas forças vitais de uma terra transfigurada.
Para compreender e viver este mistério que está no coração da vida, queridos jovens, tendes que levantar o olhar.
«Que vês Jeremias?», pergunta o Senhor ao profeta. «Vejo um ramo de amendoeira» (Jer 1, 11-12). A amendoeira é a árvore que floresce primeiro e anuncia a primavera. O olhar vigilante permite ao profeta antever o invisível no ramo florescido. Só esse olhar atento e vigilante pode captar o milagre, o mistério profundo da vida; tendes que estar vigilantes, com os olhos atentos e iluminados pela fé.
Levantai os olhos da distracção quotidiana que vos leva a um vazio existencial, começai a dar vida à parte mais profunda e mais íntima de vós mesmos, dedicai tempo à oração que vos revelará a profundidade do coração de Deus e do vosso mesmo coração de homens e mulheres. Do mais profundo da vossa alma tirareis um novo sentido das coisas, uma visão mais ampla da história, a fraternidade que nasce do coração de Cristo Ressuscitado e que se manifesta na Igreja. Ela é o “sacramento” da misericórdia de Deus neste mundo. É a casa do Deus acessível, quente e acolhedora, o lugar da escuta do sofrimento do homem, em particular dos jovens e dos pobres.
A vossa sociedade, pelo menos a ocidental, é muito rica, mas deve enfrentar-se com as novas pobrezas. E a Igreja não pode situar-se noutro lugar senão ao pé da cruz de Jesus, fonte de ressurreição. O seu lugar é junto dos pequenos, da gente cansada e ferida, daqueles que não contam ou se vêem marginalizados da caravana triunfal do progresso. Cristo, uma vez mais, é crucificado fora da cidade, nas margens da história. A Igreja “samaritana” deve estar ali: os pobres são a sua “terra santa”. E esta terra santa é o terreno fecundo do vosso compromisso juvenil.
A Igreja deve tornar visível e transparente a beleza e o amor de Deus que quer viver hoje entre nós. E vós, queridos jovens, tendes que construir esta Igreja como Cristo a quer, rosto da misericórdia do Deus da vida.
Este é o caminho que quis ensinar aos meus queridos jovens de Valdocco e o qual vos convido a construir nos vossos ambientes juvenis. Valdocco não era um espaço anónimo como a rua, mas um lugar acolhedor, um ambiente cheio de humanidade, rico de valores e do calor da família. A minha me Margarida depositou nele toda a sua solicitude e ternura de mãe; e todo o amor de pai. Como um verdadeiro pai de família, dei aos meus jovens uma casa, vestuário, pão, trabalho, instrução, diversão. Assumi com tanta paixão esta missão que pedi ao Senhor que me concedesse encontrar e acolher a muitos jovens, e que me livrasse de tudo o que me podia separar dos seus interesses.
O oratório converteu-se num lugar de vida e de encontro para os jovens, no qual as suas expectativas e iniciativas, a sua linguagem e o seu protagonismo encontraram acolhimento, promoção e espaço.
Iam progredindo na verdadeira maturidade como homens e como cristãos, entusiasmados por viver dentro do espírito de liberdade do Evangelho. Uma prova disso são as vigorosas personalidade que amadureceram em Valdocco: Desde Domingos Sávio e Miguel Magone até aos grandes pioneiros das missões, Cagliero, Lasagna, Costamagna, Fagnano, e tantas outras figuras extraordinárias.
Educava à liberdade e à criatividade dos meus jovens: queria-os conscientes das motivações das suas decisões; dava todo o espaço devido à razão; multiplicava as lições de catecismo e as boas noites, nas quais explicava porquê e como se devia acreditar. Queria rapazes decididos nas suas opções, sem respeito humano. Animava-os a tomar iniciativas em todos os campos. Não os mantinha encerrados por medo do mundo. Abríamo-nos com coragem às paróquias, às necessidades da cidade, da Igreja e do mundo. O meu sonho é ver-vos, jovens do terceiro milénio, como riqueza do presente, desenvolvendo os vossos talentos e as vossas energias de bem, invertendo no serviço aos outros, para rejuvenescer a sociedade e a Igreja.
O meu sonho é ver-vos missionários dos vossos amigos, tornando visível nos acontecimentos de cada dia o rosto de Cristo no qual todos se reconheçam.
Este sonho concretiza-se no meu compromisso e no de toda a Família Salesiana de ser sempre, com mais clareza e mais explicitamente, promotores da cultura da vida, contra tudo o que possa ameaçá-la ou diminuí-la, portadores do amor de Deus, pais e mestres de espírito, guias inteligentes e capazes de acompanhar-vos na busca de projectos de vida nobres e atraentes.
Neste compromisso contai sempre com a ajuda materna da Auxiliadora, da Virgem dos tempos difíceis, que foi para mim uma Mãe e uma Mestra e que prometeu tomar sob a sua particular protecção a quantos entrarem numa casa salesiana.
Entregai-vos a Ela com toda a confiança e vereis também vós florescer os milagres na vossa vida.
Queridos jovens, senti-me sempre próximo de vós; o meu desejo é o de ver-vos felizes agora e para sempre, seguindo o caminho das bem-aventuranças evangélicas, para poder participar todos juntos na grande festa da vida no céu.

Turim, 31 de Janeiro de 2007

2 comentários:

Anónimo disse...

Olá Ritinha, o nosso obrigado pela divulgação da mensagem do Reitor Maior D. Pascoal Chávez Villanueva.

Por vezes desfazados das nossas obrigações aqui encontramos palavras sensatas e amigas!

Se não te importas vou divulgá-la no meu blog.

Até sempre amigos
Obrigado D. Pascoal Villanueva

Beijinho

Mário Relvas

Um Poema disse...

Cheguei aqui pela mão do amigo mrelvas. E gostei.
Obrigado pela possibilidade de poder ler a mensagem do Reitor Maior do MJS.
Um abraço